As sensações que nos trazem a comida caseira são como as composições de Mile Davis, sua suavidade e delicadeza encantam, com notas agudas e elevadas de conforto.
Comer é retomar à infância, é deixar ser levado, ser abraçado, sem receio ou rejeição. Quando criança, gostamos do que é simples e temperado, e com os anos, a única mudança é achar que o simples não é mais suficiente.
Sou contra. Gosto da complexidade e da lógica arquitetada de hoje, mas nada como ter um pé de manjericão em casa, cozinhar arroz com feijão, carne moída e ovo frito, tomatinho com azeite e limão.
O simples é mais humano, talvez por pela obviedade ser mais instintiva, afetuosa, e assim menos performática.
Ora, adoro uma cozinha molecular e não nego meus momentos de delírio gastronômico, mas falo aqui de um sentimento maior, do que é sublime, o amor.
Nossas lembranças de infância, do afeto materno, definem o caminho que iremos retomar para reencontrá-las. O meu, encontrei na boa e velha comida de domingo.